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Brasília 60 anos

Atualizado: 7 de mai. de 2020




  • por Luigi Pedone em 21 de abril de 2020

Brasília acaba de entrar na sua melhor idade, não necessariamente no melhor momento. Mas em um tempo de renovação do seu principal ideal, a esperança. Criada para ser um exemplo socialista, se apresenta como representante das elites que limitam o acesso dos pobres aos seus monumentos e exclui a periferia da benéfica forma de se viver em uma cidade planejada por grandes homens e construída com o viés da arte.

É uma verdadeira galeria a céu aberto. Suas obras são originais e nasceram com a capital. E ao longo do tempo foram sendo utilizadas pela cruel organização do capital patrimonial. Em 1969 o arguto jornalista Carlos Castello Branco, em sua coluna do JB, comentava sobre o alto custo das moradias no DF, que muito atrapalhou a rápida transferência dos funcionários federais, já indicando o abismo social que representa os moradores das cidades satélites e privilegiados habitantes do Plano Piloto de Lucio Costa, pois os bosques das lindas entrequadras, cheias de paisagismo e arte, contrasta com as ruas inundadas com esgoto a céu aberto (ironizado pelo atual presidente da República).

Nesta data trago a ideia de mudar a perspectiva como desenhista, e valorizar as pessoas que se sentem marginalizadas por serem periféricas, pois periferia é o entorno de uma localização importante, com essa mudança de olhar proponho que desta vez a periferia se transfira para as desertas ruas dos lagos, sul e norte, onde representa a imensa desigualdade que impera na capital da esperança. Assim transformamos os filhos e netos dos candangos pobres que morreram nas construções em protagonistas, levando a periferia ao centro, pelo menos em pensamento.


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