RELATO DE EXPERIÊNCIA: A METODOLOGIA DO PENSAMENTO-IMAGEM NA EDUCAÇÃO PÚBLICA
- Luigi Pedone

- 11 de mar.
- 2 min de leitura

1. Contextualização: Territórios e Ecos de Resistência
A prática pedagógica aqui relatada foi desenvolvida nas redes de ensino público de quatro estados brasileiros: Pernambuco, Minas Gerais, Pará e o Distrito Federal. Esta escolha geográfica não foi fortuita; buscou-se mapear a heterogeneidade cultural e as disparidades regionais que compõem o tecido social brasileiro. O ambiente escolar, sob a lente da complexidade de Edgar Morin, foi ressignificado como um espaço de interdependências, onde as realidades locais (como a seca no semiárido ou os desafios da capital federal) dialogaram com a totalidade nacional.
2. A Comunidade de Aprendizagem: Transdisciplinaridade em Ação
O público-alvo foi composto por uma teia transversal de sujeitos: cartunistas profissionais, professores da rede pública e estudantes do Ensino Fundamental II e Médio. Ao remover as barreiras hierárquicas tradicionais, o projeto instituiu um autêntico "Círculo de Cultura" freiriano. Os cartunistas trouxeram a técnica; as professores, a mediação crítica; e os alunos, a "leitura de mundo" crua e autêntica. A interação entre esses grupos rompeu com a educação bancária, transformando a sala de aula em um espaço de coautoria.
3. Metodologia: O "Quadrinho sem Roteiro" (Práxis Visual)
O ineditismo desta prática reside na abolição do roteiro prévio. O processo criativo seguiu a lógica do Pensamento-Imagem:
* Reuniões Dialógicas: Professores e cartunistas provocavam o debate sobre temas sociais candentes.
* Conscientização: A partir do debate, as ideias não eram escritas em roteiros, mas traduzidas diretamente em linguagem visual pelos participantes.
* Produção Coletiva: A imagem surgia como uma "decodificação" instantânea do pensamento crítico coletivo.
Esta metodologia impediu que a arte fosse reduzida a uma "ilustração" de um texto, permitindo que o quadrinho mantivesse a ambiguidade e a profundidade da vida real, mantendo-se fiel à complexidade moriniana.
4. Resultados: A Transição para a Autoria
O projeto culminou em exposições dentro das próprias escolas, transformando o local de aprendizado em um espaço de afirmação cultural. A utilização de uma bolsa-auxílio e a mediação via EAD garantiram a sustentabilidade do processo, tratando a produção artística como um trabalho intelectual digno de valor.
A mudança mais significativa foi o empoderamento autoral: ao verem suas ideias transformadas em obras expostas, os alunos abandonaram o papel de espectadores passivos da história oficial para assumirem o posto de autores de suas próprias trajetórias. O cartum, sob a influência da ética de Henfil, tornou-se a ferramenta que consolidou a transição da "consciência ingênua" para a "consciência crítica" freiriana.











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